A palavra-chave é: peri-implantite

O que é?

A peri-implantite é considerada uma complicação biológica causada pela resposta tecidual ao biofilme e seus produtos. De acordo com a Academia Americana de Periodontia (AAP), ela pode ser definida como um processo inflamatório em torno de um implante, que inclui tanto a inflamação dos tecidos moles como a perda de suporte ósseo, podendo levar ao fracasso do tratamento. Embora seja um problema reportado há muito tempo, recentemente tem sido mais enfatizado na literatura e preocupante aos profissionais.

 

Se a peri-implantite pode ser um grande problema, seria melhor não colocar/reduzir o uso dos implantes dentários osseointegráveis?

Hoje já não há dúvidas quanto ao sucesso das reabilitações implantossuportadas. Antes do aparecimento dos “implantes osseointegrados com desenho contemporâneo”, pacientes total ou mesmo parcialmente edêntulos eram condenados ao uso de próteses removíveis, o que os afetava tanto na qualidade de vida como na autoestima. Não obstante este sucesso, amplamente reportado na literatura, complicações e falhas biológicas e/ou mecânicas podem ocorrer.

 

Quais as taxas de prevalência para peri-implantite?

Prevalência significa medir aquilo que se vê em um determinado dia. É uma foto da situação. Por exemplo, se eu entrar em uma sorveteria com 100 pessoas e 30 estiverem tomando sorvete de morango, a prevalência de pessoas que gostam deste sorvete é 30/100, ou seja, 30%. A literatura científica demonstra grande divergência nos relatos de prevalência, com variações de 4,7% a 43%, considerando o implante como unidade, e de 8,9% para ≥ 56%, quando se considera o paciente. Assim, é evidente que uma diferença de cinco a dez vezes na prevalência tem implicações muito grandes na clínica diária e na taxa de sucesso que podemos divulgar aos nossos pacientes.

 

Por que os trabalhos mostram grandes diferenças na prevalência de peri-implantite?

São dois aspectos básicos. No primeiro, alguns autores relatam prevalência para implantes, enquanto outros relatam prevalência para pacientes. Em uma conta simples, se um paciente tem dez implantes e um deles é diagnosticado com peri-implantite, a prevalência em relação aos implantes será de 10%, mas para o paciente será de 100%. Assim, valores para pacientes sempre serão maiores do que valores para implantes.

No segundo, há controvérsias entre os pesquisadores na caracterização da peri-implantite, que estão relacionadas aos exames de profundidade de sondagem (PS) e o nível de perda óssea. Alguns autores definem a peri-implantite quando a profundidade de sondagem for superior a 3 mm, enquanto outros consideram o nível de corte em 5 mm. Também, a extensão da perda óssea é muito variável nos estudos, o que fica ainda mais confuso devido às diferenças entre os desenhos de implantes, tipo de conexão, tempo de avaliação e remodelação óssea inicial, característica da maioria dos desenhos de implantes (saucerização).

Koldsland et al aplicaram limiares diagnósticos diferentes para avaliar a prevalência de peri-implantite em 374 implantes osseointegrados instalados em 109 pacientes. Foram considerados: profundidade de sondagem (PS), sangramento a sondagem e/ou supuração e perda óssea detectável radiograficamente. Quando o limiar de perda óssea foi fixado em ≥ 2 mm, a prevalência de peri-implantite foi de 20,4% para sítios com PS ≥ 4 mm.

Quando se associou com PS ≥ 6 mm, a prevalência foi de 15,1%. Quando o limite de perda óssea foi ≥ 3 mm, a prevalência de peri-implantite reduziu-se a 11,7% e 11,3% para as PS ≥ 4 mm e ≥ 6 mm, respectivamente. Ainda, Tomasi e Dierks verificaram que oito limiares diferentes de perda óssea radiográfica foram usados como critérios de diagnóstico de peri-implantite em combinação com sangramento a sondagem e/ou supuração em 12 estudos, gerando grande variação na prevalência de peri-implantite (entre 4,7% e 36,6% para implantes, e de 11,2% a 47,1% para os pacientes).
Além destes índices, o que mais podemos considerar?

Entendemos que outros aspectos também são importantes, tais como protocolo de manutenção, higienização, fatores de risco, qualidade do tratamento e outros, e serão discutidos nas colunas futuras.

 

REFERÊNCIAS

  • Peri-implant mucositis and peri-implantitis: a current understanding of their diagnoses and clinical implications. J Periodontol 2013;84:436-43.
  • Tomasi C, Derks J. Clinical research of peri-implant diseases – quality of reporting, case definitions and methods to study incidence, prevalence and risk factors of peri-implant diseases. J Clin Periodontol 2012;39:207-23.
  • Koldsland OC, Scheie AA, Aass AM. Prevalence of peri-implantitis related to severity of the disease with different degrees of bone loss. J Periodontol 2010;81:231-8.
  • Marcantonio C, Nicoli LG, Marcantonio Jr. E, Zandim-Barcelos DL. Prevalence and possible risk factors of peri-implantitis: a concept review. J Contemp Dent Pract 2015;16(9):750-7.

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