A palavra-chave é piezocirurgia

O que é cirurgia piezoelétrica?

Desenvolvida na década de 1980, na Itália, a cirurgia piezoelétrica consiste no emprego do ultrassom cirúrgico para execução de cirurgias ósseas. O termo “piezoelétrico” vem do mecanismo físico no qual se baseia o funcionamento do aparelho. O corte do osso é realizado por meio de microvibrações de cristais piezoelétricos estimulados por uma corrente elétrica. Estas vibrações são direcionadas à ponta ativa do instrumento que oscila em amplitudes variadas (60 μm a 210 μm), em uma frequência e potência que produzem microdesgastes no tecido mineralizado. A osteotomia é realizada sob irrigação, acionada juntamente com a peça de mão do instrumento por um controle de pedal. A potência e o fluxo da irrigação podem ser regulados de acordo com a área e o tipo de osso em que se está trabalhando, e as pontas ativas possuem diferentes desenhos, projetados para as diversas aplicações do aparelho (Vercellott i et al, 2001;

 

Quais as reais vantagens e desvantagens da cirurgia piezoelétrica?

A cirurgia piezoelétrica possui algumas vantagens que vêm sendo comprovadas em trabalhos na literatura. A principal delas é o corte seletivo de tecido mineralizado. Pelo fato da osteotomia ser realizada por microvibrações, o contato da ponta ativa com o tecido mole faz com que este vibre na mesma frequência do ultrassom e não seja lesionado. Desta forma, a piezocirurgia tem encontrado grande aplicação em cirurgias ósseas em que há risco de lesão de estruturas nobres, como vasos, nervos e membranas. Além disso, a amplitude micrométrica das vibrações e o desenho das pontas ativas associados ao spray da solução irrigadora possibilitam a execução de cortes limpos e precisos com mínima lesão do osso adjacente (Esteves et al, 2013). Por outro lado, por possuir um mecanismo completamente diferente dos sistemas rotatórios, a execução de cirurgias ósseas com o ultrassom piezoelétrico demanda uma curva de aprendizado por parte do cirurgião, principalmente por conta das diferenças de empunhadura, pressão e movimentos que devem ser realizados pelo operador, o que torna a cirurgia mais demorada.

À semelhança do desgaste das brocas no sistema rotatório, as pontas do ultrassom também se desgastam e tendem a fraturar com o uso contínuo, devido à fadiga do metal. Finalmente, o custo de aquisição e manutenção do equipamento ainda é elevado, quando comparado aos sistemas convencionais, contudo, a popularização do sistema e a concorrência do mercado tendem a tornar o custo mais acessível.

 

Quais procedimentos podem ser realizados com piezocirurgia em Odontologia?

Um dos procedimentos comprovadamente beneficiados pela piezocirurgia é a elevação do seio maxilar. A capacidade do aparelho de cortar o osso sem lesar a membrana sinusal fez com que a ocorrência de perfurações fosse significantemente reduzida durante a abertura da janela óssea de acesso ao seio (Baroni et al, 2008). Além da elevação de seio, a piezocirurgia pode ser eficientemente empregada nas osteotomias para coleta de osso autógeno em bloco, expansão da crista óssea alveolar, osteotomias em cirurgia ortognática, coleta de osso autógeno particulado, cirurgias periodontais, extrações dentárias minimamente traumáticas e instalação de implantes (Stubinger et al, 2015; Seshan et al, 2009). Cada uma dessas aplicações requer pontas com desenhos específicos, que são comercializadas individualmente ou em kits para determinada finalidade.

Figura 1 – Segmentação para reposicionamento alveolar, realizada com piezocirurgia.
Figura 2 – Imagem histológica (HE 200 x) que mostra o defeito cirúrgico realizado com ponta esférica do ultrassom piezoelétrico. As bordas da osteotomia são bem definidas e o defeito encontra-se preenchido por tecido ósseo neoformado em processo de mineralização.

 

Referências

• Esteves JC, Marcantonio Jr. E, de Souza Faloni AP, Rocha FR, Marcantonio RA, Wilk K et al. Dynamics of bone healing after osteotomy with piezosurgery or conventional drilling – histomorphometrical, immunohistochemical, and molecular analysis. J Transl Med 2013;23(11):221.

• Barone A, Santini S, Marconcini S et al. Osteotomy and membrane elevation during the maxillary sinus augmentation procedure. A comparative study: piezoelectric device vs. conventional rotative instruments. Clin Oral Implants Res 2008;19:511-3.

• Happe A. Use of a piezoelectric surgical device to harvest bone graft s from the mandibular ramus: report of 40 cases. Int J Periodontics Restorative Dent 2007;27(3):241-9.

• Seshan H, Konuganti K, Zope S. Piezosurgery in periodontology and oral implantology. J Indian Soc Periodontol 2009;13(3):155-6.

• Stübinger S, Stricker A, Berg BI. Piezosurgery in implant dentistry. Clin Cosmet Investig Dent 2015;7:115-24 (doi: 10.2147/CCIDE.S63466. eCollection 2015).

• Vercellott i T, Crovace A, Palermo A, Molfett a L. Th e piezoelectric osteotomy in orthopaedics: clinical and histological evaluations (pilot study in animal). Mediterr J Surg Med 2001;9:89-96.

• Vercellott i T. Technological characteristics and clinical indications of piezoelectric bone surgery. Minerva Stomatol 2004;53:207-10.

 

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