Fatores de risco na peri-implantite

O que é fator de risco para uma enfermidade?

Em saúde, um fator de risco é um agente que aumenta a probabilidade do aparecimento e/ou desenvolvimento de uma condição patológica. Não se deve confundir com agente causal, que é o fator que determina o aparecimento da doença. Por exemplo, no caso das peri-implantites, seu agente causal é a presença das bactérias do biofilme e seus produtos. Fatores de risco são outros fatores que aumentam o risco do desenvolvimento da doença.

Quais são os fatores de risco para peri-implantite?

Vários fatores de risco estão descritos na literatura como potencializadores do risco de peri-implantite, dentre eles, os com maior evidência são: presença e histórico de doença periodontal (DP), tabagismo e má higiene oral. Diabetes também parece ter significado, mas as evidências não são tão fortes, como as anteriores.

Pacientes com doença periodontal podem receber implantes?

Não devemos confundir pacientes que possuem doença periodontal ativa com pacientes que já foram tratados e apresentam saúde periodontal no momento. Obviamente, pacientes com doença periodontal não devem receber implantes até que sejam tratados e apresentem um índice de colaboração (higienização e retornos) compatível com o tratamento proposto.

Se considerarmos que a etiologia e a patogenia da periodontite e da peri-implantite são muito semelhantes, podemos entender por que os pacientes com histórico de doença periodontal têm mais chance de desenvolver peri-implantite, pois a simples substituição de dentes por implantes não irá mudar o perfil comportamental e imunológico do paciente. Sendo assim, este deve receber, com frequência, um programa de prevenção com visitas de instrução de higiene oral e remoção do biofilme, chamado “tratamento periodontal de suporte” (TPS). Pacientes com histórico de DP e ausência de TPS têm até três vezes mais chances de desenvolver peri-implantite.

Outro aspecto importante é diagnosticar qual o tipo de doença periodontal existente. A literatura tem demonstrado que pacientes com histórico de doença periodontal agressiva têm maior perda óssea peri-implantar, em comparação aos pacientes com histórico de periodontite crônica. Portanto, necessitam de um cuidado ainda maior de acompanhamento periodontal e, mesmo assim, continuarão a ser pacientes de maior risco.

Qual o impacto do tabagismo no desenvolvimento das peri-implantites?

Embora a maioria dos pesquisadores tenha encontrado previamente correlação entre tabagismo e a maior prevalência de doenças peri-implantares, mais recentemente outros estudos têm questionado a influência negativa do tabagismo sobre a prevalência de peri-implantite. Neste caso, entendemos que, enquanto um consenso sobre o tema não for obtido, os pacientes fumantes devem continuar sendo aconselhados sobre o maior risco de falha do implante e o desenvolvimento de peri-implantite, especialmente quando o tabagismo estiver associado com uma história de doença periodontal. Nesta situação, a chance de apresentar peri-implantite pode aumentar até quatro vezes, e a resposta ao tratamento é bastante reduzida.

Qual a frequência das visitas de acompanhamento e prevenção (TPS)?

A frequência de visitas para TPS é variável, de acordo com cada caso. A literatura mostra que é necessário partir de um período médio de cinco a seis meses, mas pacientes com fatores de risco (como DP e tabagismo, por exemplo) devem reduzir estes prazos. Nos casos de má higiene ou dificuldade de higienização, períodos ainda mais curtos serão necessários. O importante é reforçar a instrução de higiene oral e remover o biofilme (removendo a prótese ou não) a cada retorno, sondar os tecidos peri-implantares, verificar o sangramento a sondagem e avaliar a qualidade da prótese.

E no caso de pacientes diabéticos?

Embora a evidência atual não permita uma conclusão definitiva, tem sido demonstrado que, nos casos de diabetes bem controlado, não há contraindicação para o tratamento com implantes. Assim, para indivíduos diabéticos, parece indiscutível que a consciência do paciente e o controle do nível glicêmico devem ser levados em consideração quando for necessário o tratamento com implantes.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *